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Um Poema Geométrico
Estava um dia, sisudo, talhado e sempre certeiro, O nosso amigo Quadrado Perdido de amores por aquela Que se soube, chamar-se-ia A doce Trigonometria! O Quadrado, coitado, andava, Suspirando em rectas infinitas, De tão enamorado, Arredondavam-se-lhe os cantos! E os ângulos, coitados! De rectos, já pouco tinham! De resto, carecia de coragem, Para a sua amada se declarar Mas era certo, concerteza, Que por ela, nada temia, Tudo poderia enfrentar. Juraria naquele lugar, Enquadrar todos os Círculos, Esses libertinos! Sempre a girar! Cansado que estava de tormentos, Com fúrias de gritar aos 7 ventos, Procurou se aconselhar. O Rectângulo, sempre amigo, Confortou-o, e encorajou-o, Com uma palmadinha nos ângulos Aconselhou-o a encontrar Trigonometria -“Quadrado meu rico amigo, Era justamente o que eu faria!” E o Quadrado lá foi, Aprumado e de cantos afiados, Mas o coitado foi infeliz, É que a Trigonometria, Segundo se diz, Só gostava de Triângulos!
Cristina Freitas In No Sotão do Pensamento II
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