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2.4. O objectivo da
Sociologia
"Compreensão de situações
sociais
A Sociologia tem muitas implicações práticas nas nossas
vidas. O pensamento e pesquisa sociológicos contribuem, de várias
e óbvias maneiras, para a acção política concreta
e para a reforma social. A mais directa é a que fornece simplesmente
uma compreensão mais clara e adequada da situação social
do que a anteriormente existente. Isto pode suceder tanto a nível
do conhecimento de facto, como através da aquisição
de um maior conhecimento das razões de alguma ocorrência (por
outras palavras, através do entendimento teórico). A pesquisa
pode, por exemplo, demonstrar que, ao contrário do que se pensava,
uma proporção maior da população vive na pobreza.
Qualquer tentativa de fomentar uma melhoria do nível de vida teria
obviamente melhores hipóteses de sucesso se fosse baseada em
informação precisa, em vez de dados errados. Quanto melhor
percebermos por que persiste amplamente a pobreza, mais verosimilmente
poderão ser implementadas políticas para a combater.
Consciência das diferenças
culturais
Um outro meio pelo qual a Sociologia auxilia a acção política
concreta é ajudando a promover um maior conhecimento cultural por
parte dos diferentes grupos sociais. A pesquisa sociológica proporciona
um meio de observar o mundo social a partir de uma ampla diversidade de
perspectivas culturais, ajudando, por conseguinte, a dissipar os preconceitos
criados por uns grupos relativamente aos outros. Ninguém pode ser
um político instruído, sem um conhecimento informado do
carácter variável dos valores culturais. As políticas
concretas que não assentarem no conhecimento dos modos de vida daqueles
a quem vão afectar poucas hipóteses têm de êxito.
Assim, um assistente social branco, que trabalhe numa comunidade de pessoas
oriundas das índias Ocidentais, numa cidade britânica, não
poderá conquistar a confiança dos seus membros sem desenvolver
uma sensibilidade face às diferenças culturais que frequentemente
separam os brancos dos negros na Grã-Bretanha.
Avaliação dos efeitos das
políticas
Em terceiro lugar, a investigação tem implicações
práticas sobre a avaliação dos resultados das iniciativas
políticas. Um programa de reformas pode simplesmente falhar o objectivo
proposto pelos seus autores ou arrastar uma série de consequências
não intencionais, de cariz prejudicial. Um exemplo - nos anos que
se seguiram à Segunda Guerra Mundial, foram construídos grandes
blocos habitacionais no centro das cidades de muitos países. A
intenção era providenciar um bom nível de
habitação, com zonas comerciais e outros serviços
públicos à mão, para os grupos dos bairros degradados
e com baixos rendimentos. Contudo, a pesquisa mostrou que muitos dos que
se mudaram para esses blocos habitacionais se sentiam isolados e infelizes.
Grandes blocos habitacionais e áreas comerciais em muitos casos depressa
se degradaram transformando-se em viveiros de marginais - dos ladrões
aos criminosos mais violentos.
Em quarto lugar, e sob certos pontos de vista o mais importante, a Sociologia
pode proporcionar auto-esclarecimento - um incremento do auto-conhecimento
- aos grupos da sociedade. Quanto mais as pessoas sabem das condições
das suas próprias acções e como funciona, no seu todo,
a sociedade onde vivem, tanto mais poderão verosimilmente influenciar
as circunstâncias das suas vidas. Não devemos entender que o
aspecto prático da Sociologia se limita a ajudar os decisores
políticos - o mesmo é dizer, grupos poderosos - a tomarem
decisões consubstanciadas. Não se pode assumir que aqueles
que estão no poder têm sempre em mente os interesses dos menos
poderosos ou menos privilegiados, nas políticas que promovem. Os grupos
auto-esclarecidos podem responder de forma efectiva às políticas
seguidas pelos governantes ou outras autoridades, e até podem ter
iniciativas próprias. Grupos de pessoas que se entreajudam (como os
Alcoólicos Anónimos) e movimentos sociais (como os movimentos
de mulheres) são exemplos de associações sociais que
procuram, de uma forma directa, promover reformas concretas."
[Anthony GIDDENS - Sociologia, 2.ª ed., FCG, Lisboa, pp. 36-37]
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