ESCOLA SECUND�RIA DE ALBERTO SAMPAIO

Notas de Apoio � Disciplina de Sociologia

 

3.2. O método científico nas Ciências Sociais

Ci�ncias naturais e ci�ncias humanas

Explica��o e compreens�o

 

CIÊNCIAS NATURAIS E CIÊNCIAS HUMANAS

"Separação e distinção entre Filosofia e Ciência

Na Idade Moderna, com a chamada revolução científica do século XVII, teve início a separação e a distinção entre a Filosofia e a Ciência, com o consequente desdobramento da última, nos séculos posteriores, em Ciências Exactas, Naturais e Humanas ou Sociais, ou melhor, em diferentes maneiras de realização do ideal de cientificidade.

É comum dizer-se que a Ciência, como um modo de conhecer o real, distinto daquele da Filosofia, só teve o seu advento no século XVII, com os trabalhos de Galileu e Descartes, visando estabelecer método, conceitos e objectos de estudo, a partir da experimentação e do modelo da linguagem matemática. Observa-se, assim, primordialmente, a matematização da Natureza e, neste caso, a concepção de Ciência de Galileu é exemplar, porque, para ele, "o grande livro da Natureza está escrito em caracteres matemáticos", estando ausente dessa concepção de ciência toda a referência ao subjectivo e ao qualitativo (tal como concebido por Aristóteles). Para Galileu, fazer Ciência corresponde a analisar os corpos da Natureza através de suas características quantitativas e objectivas, ou seja, de sua forma, espaço, tempo, movimento, extensão e não de suas cores, sabores e odores, tendo em vista um saber verdadeiro, identificado ao saber matemático, cujas verdades são necessárias, universais, rigorosas, precisas e objectivas. Desde então, falar em Ciência significa perseguir um ideal de objectividade e de cientificidade, nos moldes da Matemática e não da Filosofia, voltada para o sujeito do conhecimento. Ciência significa, portanto, objectividade do conhecimento.

Tendo por objecto de estudo a Natureza, as Ciências Naturais (Física, Química, Biologia, Geografia) se separam da Filosofia a partir do século XVII, tomando como modelo o ideal de cientificidade calcado na Matemática e validado pela experimentação. Como essas Ciências são capazes de estudar a Natureza de modo preciso, rigoroso e, de certo modo, acabado, só restará à Filosofia dedicar-se ao estudo do Homem. No entanto, no século XIX e no início do século XX, surgem as Ciências Humanas ou Sociais (Sociologia, História, Antropologia, Psicologia, Linguística, etc.), que reivindicam para si a propriedade de estudar esse objecto em conformidade com o modelo das Ciências Naturais. O aparecimento das Ciências Humanas termina por separar e distinguir a Filosofia da Ciência. Não há, então, mais algum modo de relacionar a Filosofia e a Ciência? Não tem mais a Filosofia nenhum papel na compreensão da Natureza e do Homem? É preciso, assim, retomar a relação entre Filosofia e Ciência como formas distintas de colocar problemas.

A questão da objectividade e da cientificidade na Ciência e nas Ciências Humanas.

A partir da Revolução Científica do século XVII, o estatuto de cientificidade da Ciência passa a ser definido em função de um método rigoroso, pautado numa linguagem matemática, exacta, objectiva, universal e necessária, desvinculada de toda a subjectividade e valor. A Ciência deve, assim, ser entendida como uma forma de conhecimento, cuja tarefa é a de apropriar-se do real e explicá-lo de modo objectivo, mediante o estabelecimento de leis universais e necessárias entre os fenómenos, leis estas previsíveis e passíveis de controle experimental. Observa-se, deste modo, uma relação intrínseca entre a cientificidade e a objectividade de uma ciência.

O modelo de cientificidade e de objectividade da Matemática e das Ciências da Natureza torna-se o ideal de cientificidade e de objectividade a ser procurado nas Ciências Humanas. Toda esta busca suscita uma série de questões: as Ciências Humanas, tendo uma especificidade própria, não devem ser construídas segundo o modelo de explicação das Ciências Naturais? Se elas não seguem este modelo, podem ser ditas Ciências? Se o modelo de cientificidade das Ciências Naturais se estrutura na objectividade, na ausência de aspectos subjectivos e qualitativos, como fazer com que as Ciências Humanas sejam Ciências, se o seu objecto de estudo, o Homem, é o domínio da subjectividade, dos valores? Sendo assim, podem ser construídas segundo outro modelo de cientificidade? Em suma, questiona-se a cientificidade da Ciência em termos restritos à objectividade. São as Ciências Humanas apenas o domínio da subjectividade? Não são estas Ciências subjectivas e objectivas no que se refere aos seus objectos de estudo? O mesmo não poderia ser dito das Ciências Naturais?

Todas estas questões apontam para a problemática da subjectividade e da objectividade nas Ciências Naturais e nas Ciências Humanas. Neste aspecto, a crise dos fundamentos, ocorrida no final do século XIX e no decorrer do século XX, tornou possível pensar a construção de um modelo de cientificidade para as Ciências Humanas e a Filosofia, em moldes distintos daqueles das Ciências Naturais."

Adaptado de http://www.sectec.rj.gov.br/redeescola/especialistas/filosofia/tema02/fil-tm02.html

 

EXPLICA��O E COMPREENS�O

O s�culo XIX assiste a um despertar e a um desenvolvimento do estudo do homem, da sua hist�ria, da sua linguagem e dos seus costumes, equivalente �quele que no s�culo XVII se verificara relativamente ao estudo da natureza. Ou seja: tal como as Ci�ncias da Natureza nascem, na sua cientificidade pr�pria e espec�fica, no s�culo XVII, tamb�m as Ci�ncias Humanas, as Ci�ncias Sociais ou Ci�ncias do Esp�rito nascem efectivamente no s�culo XIX. N�o nascem, todavia, pacificamente. Esse nascimento � marcado por um conflito de modelos de inteligibilidade [...].

Neste conflito entre modelos de inteligibilidade, um dos p�los � representado pelo positivismo, que [...] procura, na concretiza��o desse sonho, transpor para as Ci�ncias Humanas o ideal da inteligibilidade em que assenta a cientificidade das Ci�ncias da Natureza. [...]

Ao primado metodol�gico das Ci�ncias da Natureza sobre as Ci�ncias do Esp�rito defendido pelo positivismo, vai opor-se um grupo de autores extremamente significativo na segunda metade do s�culo XIX, de que � justo destacar Droysen e Dilthey, que vir�o a cunhar definitivamente os conceitos de explica��o e compreens�o e a pugnar tenazmente pela autonomia metodol�gica das Ci�ncias do Esp�rito.

[...] � neste quadro que se insere a reformula��o do bin�mio metodol�gico entre as Ci�ncias da Natureza e as Ci�ncias do Esp�rito, por Droysen e por Dilthey. O primeiro cunha definitivamente a distin��o entre explicar e compreender, como ind�cios e marcas de dois processos distintos no �mbito do saber: assim, ao m�todo cient�fico f�sico-matem�tico corresponderia um conhecimento explicativo e ao m�todo cient�fico hist�rico corresponderia um conhecimento compreensivo. Dilthey aprofunda esta distin��o institucionalizando correlativamente a express�o Ci�ncias do Esp�rito. Assim, para ele, as manifesta��es da vida e as objectiva��es do homem no mundo social e hist�rico constituem o principal ponto de abordagem das Ci�ncias do Esp�rito e a via de acesso a elas � a compreens�o, a qual definir� a atitude hermen�utica face � hist�ria".

J. M. Andr� (1993). "Natureza e esp�rito", 0 Professor, 35, Nov/Dez, pp. 8-10.

 

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